LUCILENE MACHADO


     Fio de saliva(Terra Rica, Paraná, Brasil, 1965)


     Licenciada en Filología con postgrado en Literatura Brasileña. Forma parte de la Academia de Letras del Estado de Mato Grosso do Sul (Brasil). Es profesora de la Universidad para el Desarrollo del Estado y de la Región del Pantanal. Ha sido becaria en el curso para profesores extranjeros por la Universidad Complutense de Madrid.
     Ha publicado tres libros hasta la fecha: Plântula (1999), O gato pernóstico (2000) y Fio de saliva (2004). A este último libro, Hilo de saliva, pertenece el cuento ‘Rosas rojas’.

 

     Traducción: Raúl Gentili


ROSAS VERMELHAS

 

     Aquele homem cabia inteiro nos olhos dela. Cabia em suas mãos macias e ávidas por acarinhar. Seria capaz de envolvê-lo com a teia de seus sentidos. Ciladas de mãos e olhares. Minto, os olhos não vêem nada quando as mãos são tentáculos de uma fêmea carnívora. Era um homem que tinha o tamanho exato do seu desejo. Encaixado em seus contornos, íntimos de sovacos e coxas, fariam a sublime coreografia do amor. Como seria seu hálito, seu cheiro... seu corpo molhado de paixão?
     Por ele seria capaz de cama, mesa e banho. Mais que isso, comida e roupa lavada. Seria capaz de passar e engomar suas camisas brancas, uma a uma, enquanto ele lhe beijasse a nuca achando sensual seu jeito despojado de dona de casa e lhe perguntasse em sussurros “está vestida assim pra mim?” Claro que sim. Vestida e desvestida, sempre para ele. Aí, ele se aproveitaria da fragilidade dela e realizaria suas fantasias de macho atrás das portas e janelas. Será que aquele homem de metro e oitenta fantasiava mulheres frágeis e carentes? Por supuesto que no. Parecia mais com uma rocha inabalável. Um homem de alma gelada e impenetrável. Individualista, cheio de si... um verdadeiro narciso.
     Bem, não podia reclamar tanto, até que ele demonstrou interesses. E ainda questionou se ela estava compreendendo seu ponto de vista. “Sim! Não!” Ela atrapalhou-se toda ao dizer o que pensava sobre relações. Mulheres especiais se atrapalham. Entretanto os homens demoram fazer essa descoberta. Homens, tão diretos e objetivos! Considerou-a tensa. Tensa? Que idéia! Só queria as coisas formalizadas. Era romântica... “Romântico eu também sou, querida”. Sentiu-se ingênua. Não, sentiu-se infantil mesmo. Nem sabia mais o que era referencial de romantismo. Como poderia pensar em compromissos e formalidades depois da virada do século? Agora as coisas aconteciam espontaneamente ao seu tempo. “Compreende?” perguntou ele sem muito interesse na resposta. Mas ela sentia a ansiedade pulsando na pele e precisava responder para manter o equilíbrio da conversa e deixar clara sua reputação. E falou. Seus argumentos jamais haveriam de convencê-lo, todavia foi autêntica. Não iria dormir com ele sem que se estabelecesse vínculos de intenções futuras. Dormir? Não, ele falou em noite de amor. Assim sem muitos rodeios, do mesmo modo que a convidou para o jantar.
     Enquanto ela falava, ele distraiu-se várias vezes a olhar os transeuntes. Que tédio! Perdera a noite investindo numa mulher com conceitos antiquados e ultrapassados. Reputação! Como é que ele iria adivinhar? Julgava não mais existir essa espécie de mulher.... E pensar que ele a escolhera a dedo. A mais bela mulher da noite, e como dançava! Esperou uma semana para o encontro, estava cheio de expectativas.... Pensou em todas as possibilidades! Seria capaz de a enlouquecer entre quatro paredes. Beijaria de leve seu pescoço esguio, a orelha, a boca... faria massagens, carícias e surpresas das quais ela jamais se esqueceria. Ela iria queimar de febre e devolveria a ele os olhos esverdeados acesos, emoldurados pelo castanho avermelhado do cabelo. Seria capaz de carregá-la no colo para cama, ou simplesmente apreciaria seu andar de bailarina, que não é mais bailarina mas continua com a graça de quem nunca perdeu o gingado. Gingado? Não, deveria ser Rosas vermelhasvocação. Vocação para a leveza como uma borboleta que movimenta as asas pousando de flor em flor. Seria capaz de enviar a ela uma dúzia de rosas vermelhas no dia posterior. Talvez fosse melhor rosas brancas... não, vermelhas mesmo. Mulheres adoram rosas vermelhas. E por que não? Só não daria o número do telefone, isso não. Ela poderia ligar e insistir num domingo no parque, ou quem sabe num jantar íntimo preparado por ela. A Segunda opção poderia ser irresistível. Ela num tubinho preto tomara-que-caia... jantar à luz de vela... Mas, e se ela inventasse de apresentar os filhos, mostrar o cachorro, o gato... fotos antigas, ela dançando no Municipal... Não! Não queria perder tempo com isso. Depois ainda poderia pensar que ele era seu namorado. Coisa mais antiga, uma mulher ligando para seu trabalho, perguntando onde ele havia jantado, passado a noite... isso não! Sabia quanto custava a liberdade. Não teria mais paciência para marido, namorado ou qualquer papel semelhante. Num gesto sutil chamou o garçom e pediu a conta.
     Ela baixou os olhos tristemente. Sobre a mesa, esculturas que havia feito com miolos de pão. Esmagou com o dedo uma formiga ruiva e solitária que surgiu rastejante sobre a mesa como a implorar uma migalha. Oh Deus! Migalhas, era isso. Na toalha branca o rastro nojento. Era o corpo. Pão partido, vinho derramado. Jamais teriam essa comunhão. Sentiu-se indignada. Retirou-se sem esperar qualquer gentileza. Apenas algumas palavras jogadas ao vento, como “obrigada pelo convite” e “obrigado pela companhia”. Poderia ter resistido um pouco mais, mas era muito delicada. Os delicados têm pouca resistência. De resto, sei apenas que ela passou o dia seguinte arrumando a casa. Cortando, delicadamente, com uma tesourinha de unhas, os caules de um bouquet de rosas vermelhas. Fazia isso com extremado prazer. Depois as colocava uma pós outra dentro de um jarro de água. Todas com o mesmo corte oblíquo e o mesmo tamanho. Obrigou-se a compreender também que as rosas não falam, jamais. Nem mesmo as vermelhas.

 

 

 

ROSAS ROJAS


     Aquel hombre cabía entero en los ojos de ella. Cabía en sus manos suaves y ávidas por acariciar. Sería capaz de envolverlo con la tela de sus sentidos. Emboscadas de manos y miradas. Miento, los ojos no ven nada cuando las manos son tentáculos de hembra carnívora. Era un hombre que tenía el tamaño exacto de su deseo. Encajado en sus contornos, íntimos de axilas y muslos, harían la sublime coreografía del amor. ¿Cómo sería su aliento, su aroma... su cuerpo mojado de pasión?
     Por él sería capaz hasta de convertirse en una auténtica ama de casa, inclusive cocinando y lavando ropa. Sería capaz de almidonar y planchar sus camisas blancas una por una, mientras él le besara la nuca, encontrando sensual su aire despojado de entrecasa, y le preguntase en susurros: “¿Estás vestida así para mí?”. Claro que sí. Vestida y desvestida, siempre para él. Ahí, él se aprovecharía de la fragilidad de ella y realizaría sus fantasías de macho atrás de puertas y ventanas. ¿Aquel hombre de metro ochenta fantasearía con mujeres frágiles y desvalidas? Por supuesto que no. Parecía más bien una roca inconmovible. Un hombre de alma helada e impenetrable. Individualista, pagado de sí mismo... un verdadero narciso.
     Bien, no podía quejarse tanto, hasta que él demostró interés en sus puntos de vista. Y aún cuestionó si ella estaba comprendiendo su punto de vista. “¡Sí! ¡No!”. Ella tartamudeó al decir lo que pensaba sobre las relaciones. Las mujeres especiales suelen confundirse. Y los hombres demoran en descubrir eso. ¡Hombres, tan directos y objetivos! La encontró tensa. ¿Tensa? ¡Por favor! Apenas quería las cosas formalizadas. Era romántica... “Romántico yo también lo soy, querida”. Se sintió ingenua. No, más que eso, se sintió infantil. Ni sabía ya qué quería decir romanticismo. ¿Cómo podría pensar en compromisos y formalidades después del cambio de siglo? Ahora las cosas sucedían espontáneamente a su tiempo. “¿Comprendes?”, preguntó él sin mucho interés en la respuesta. Pero ella sentía la ansiedad pulsando en su piel y precisaba dar una ¿Reputación?respuesta para mantener el equilibrio de la charla y dejar clara su reputación. Y habló. Sus argumentos jamás habrían de convencerlo, pero no por ello dejó de ser auténtica. No dormiría con él sin que se estableciesen vínculos de intenciones futuras. ¿Dormir? No, él habló de noche de amor. Así, sin muchos rodeos, del mismo modo en que la había invitado a cenar.
     Mientras ella hablaba, él se distrajo varias veces mirando a los transeúntes. ¡Qué aburrimiento! Había perdido la noche invirtiendo en una mujer con conceptos ya superados, pasados de moda. ¿Reputación? ¿Y cómo iba él a adivinar? Creía que ya no existía esa especie de mujer... Y pensar que la había escogido a dedo. ¡La más hermosa mujer de aquella noche, y cómo bailaba! Esperó una semana para el encuentro, estaba lleno de expectativas... ¡Pensó en todas las posibilidades! Sería capaz de enloquecerla entre cuatro paredes. Besaría suave su cuello delgado, la oreja, la boca... le haría masajes, caricias, y sorpresas de las cuales ella jamás se olvidaría. Ella iba a quemarse en la fiebre y le devolvería los ojos verdosos encendidos, enmarcados en el castaño rojizo de su cabello. Sería capaz de llevarla en brazos hasta la cama, o simplemente apreciaría su andar de bailarina, que ahora ya no baila pero mantiene la gracia y la cadencia. ¿Cadencia? No, es que ella tenía vocación. Vocación para la ligereza, como una mariposa que bate las alas, posándose de flor en flor. Sería capaz de enviarle a ella una docena de rosas rojas al día siguiente. Tal vez fuese mejor rosas blancas... no, lo mejor eran las rojas. Las mujeres adoran las rosas rojas. ¿Y por qué no? Sólo que no le daría el número de teléfono, eso no. Ella podría llamar e insistir en que pasaran el domingo en el parque, o quién sabe, quisiera una cena íntima preparada por ella. La segunda opción podría ser irresistible. Ella en un vestido negro ajustado al cuerpo, sin breteles... cena a la luz de las velas... pero, y si ella insistiese en presentarle a los hijos, mostrarle el perro, el gato... fotos viejas, ella bailando en el Municipal... ¡No! No quería perder el tiempo con eso. Después hasta podría pensar que él era su novio. Qué cosa anticuada, una mujer llamando a su trabajo, preguntando dónde había cenado, dónde había pasado la noche... ¡Eso no! Sabía cuánto costaba la libertad. No tendría más paciencia para ser marido, novio, o cualquier papel semejante. En un gesto sutil llamó al mozo y pidió la cuenta.
     Ella bajó los ojos tristemente. Sobre la mesa, esculturas que había hecho con miga de pan. Aplastó con el dedo una hormiga roja y solitaria que surgió arrastrándose, como implorando una migaja. ¡Oh, Dios! Migajas, era eso. En el mantel blanco, el rastro enojoso. Era el cuerpo. Pan partido, vino derramado. Jamás tendrían esa comunión. Se sintió indignada. Se retiró sin esperar ninguna gentileza. Apenas algunas palabras así, al acaso, como “gracias por la invitación” y “gracias por la compañía”. Podría haber resistido un poco más, pero era muy delicada. Y los delicados tienen poca resistencia. Resta decir que apenas sé que ella pasó el día siguiente arreglando su casa. Cortando, delicadamente, con una tijerita de uñas, los cabos de un bouquet de rosas rojas. Hacía eso con extremo placer. Después las colocaba una junto a otra dentro de un jarro de agua. Todas con el mismo corte oblicuo y el mismo tamaño. Se obligó a comprender que las rosas no hablan, jamás. Ni siquiera las rojas.

 

 

 

 

 

 

 

GIANCARLO SISSA


     © Giancarlo Sissa(Mantova, Italia, 1961)

     Actualmente vive en Bolonia. Es traductor y estudioso de la literatura francesa. Sus cuentos y poemas han aparecido en numerosas revistas y en libros como Laureola (Book Editore, 1997), Prima Della tac e altre poesie (Marcos y Marcos, 1998), Il mestiere dell’educatore (Book Caput Gauri, 2002) y Manuale d’insonnia (Nino Aragno Editore, 2004). Está presente en diversas antologías, como L’occhio e il cuoe, poeti degli anni’90 (Sometti, 2000), Il pensiero dominante, poesia italiana 1970-2000 (Garzanti, 2001), Le parole esposte, fotostoria della poesia italiana del novecento (Crocetti, 2002), Poesia Della traduzione (Sometti, 2003) y Parole di passo, trentatrè poeti peri l terzo millenio (Nino Aragno, 2004). Para Gallo et Calzati Editori ha editado en 2004 una colección de escritos autobiográficos de distintos autores en Poesia a Bologna. Estos tres poemas son inéditos en español.©

 

     Traducción: Pablo Palomino

 

 

 

AUTOPSIA DELLA FAME

     Così qui ci cresce fra il costato un prato che a notte bagna gli occhi a un sogno di bambino che si medica i ginocchi e l’insetto in volo pietrificato nella foto in bianco e nero del permesso di soggiorno o della morte senza certificato se poi davvero nessuno amava o almeno così sembrava che l’autopsia non ha verificato e appesa al frenulo del cuore la domanda che impazziva in un lancio di coltelli o la voce senza riva del come ci conterete ora? senza numero non c’è prigione e quale lo scandaglio che fruga melma e alghe della ragione così e qui noi finalmente assomigliamo a verità incatenate a cancelli ma senza perfezione e non a perfezioni ma a morsi di realtà e pietosamente offerti i nervi scoperti in ciò che davvero siamo e ignoriamo non avendolo voluto o il palmo senza mano ma senza viltà e senza averlo saputo se qui ci mangia il mare gli occhi nella sua luce se qui la paura nostra non fa pietà ma stella dopo stella cuce la costellazione infame della fame qui la storia ha in noi il suo nome di miseria di ignoranza di nuova civiltà.


AUTOPSIA DEL HAMBRE

     Así aquí nos crece entre el costado un prado que de noche moja los ojos a un sueño de niño que se medica las rodillas y el insecto en vuelo petrificado en la foto en blanco y negro del permiso de residencia o de la muerte sin certificado si después realmente nadie amaba o al menos eso parecía que la autopsia no ha verificado y colgada del frenillo del corazón la pregunta que enloquecía en un lanzamiento de cuchillos o la voz sin orilla del cómo nos lo contaréis ahora? sin número no hay prisión y cuál es la sonda que hurga lodo y algas de la razón así y aquí nosotros finalmente semejamos a verdades encadenadas a verjas pero sin perfección y no a perfecciones sino a bocados de realidad y piadosamente ofrecidos los nervios descubiertos en lo que realmente somos e ignoramos no habiéndolo querido o la palma sin mano pero sin vileza y sin haberlo sabido si aquí nos come el mar los ojos en su luz si aquí el miedo nuestro no hace piedad sino estrella tras estrella cose la constelación infame del hambre aquí la historia tiene en nosotros su nombre de miseria de ignorancia de nueva civilización.

 

 


INFAMIE DA OSTERIA

     A quale fronte conduce il piccolo fuoco delle impronte nella neve. A quale guerra che scuce il palmo alle mani. A quale terra di luce o bianche mattine sulla riva della malattia e altre più oltre infamie da osteria al tuono rotolanti se via le porta il suono della paterna voce che affonda allo sgomento del vuoto nulla di ogni croce o il vento che affama la nera onda e strappa l’urlo incessante dei pioppi nell’orizzonte della pianura specchiata di paura come rabbia negli occhi di un cane e il pane raffermo o la buona pace del vino che nella fuga ti rifà bambino.
Poesia a Bologna     Così preme la stanchezza dietro i ginocchi spezza il passo e gonfia d’inverno il mare di neri fiocchi come questa città che nel biscotto del suo sasso stende piazze in ceneri d’immondizia stordite a un buio di viltà di falsa ribellione e mesta letizia ma senza ipotesi come cinghie di protesi o fiori di brina e tutto quello che non dite come il volare in sogno o sul gioco di una mina con poco dopo e poco prima – e comunque nella pioggia che maledite o nel nevischio che va lento scomparendo come colore da una fotografia sepolta dal ghiaccio calpestata nella via.


INFAMIAS EN LA TABERNA

     A qué frente conduce el pequeño fuego de las huellas sobre la nieve. A qué guerra que descose la palma a las manos. A qué tierra de luz o blancas mañanas sobre la orilla de la enfermedad y otras más allá infamias de hostería al trueno rodantes si se las lleva el sonido de la paterna voz que ahonda en el espanto del vacío nada de toda cruz o el viento que afama la negra ola y arranca el grito incesante de los chopos en el horizonte de la llanura espejeante reflejada de temor como rabia en los ojos de un perro y el pan duro o la buena paz del vino que en la fuga te vuelve a hacer niño.
     Así aprieta el cansancio tras las rodillas despieza el paso e infla de invierno el mar de negros roncos como esta ciudad que en el bizcocho de su roca extiende plazas en cenizas de inmundicia aturdidas a una oscuridad de vileza de falsa rebelión y triste alegría contento pero sin hipótesis como correas de prótesis o flores de escarcha y todo lo que no decís como volar en sueños o sobre el juego de una mina más tarde que temprano- y sin embargo en la lluvia que maldecís o en la nevisca que lentamente va desapareciendo como color de una fotografía sepultada por el hielo pisoteada en la calle.

 

 


NELLE VOCI DI UNA STANZA

     Così e qui e via facendo batte il cuore la carezza che felici siamo stati un mattino di primo novecento e poi più tardi senza saperlo specchiati nella fretta lungomare di un bambino in nebbie e sguardi sfiniti rapiti in noi cercando o nella fuga in bicicletta quasi di scavarlo un poco di futuro in tanta guerra facendo nostalgia di ogni panchina con poco dopo ma ogni prima l’idea più intera della terra e spalle al muro a un rullo di tamburo nell’inverno di un treno scortato e alta oltre l’onda di prato oltre lo stridore del freno oltre la trafittura di ciò che è stato o il respiro di un’alba senza offesa dove sbatte un oceano di parole alla bocca spalancata nell’incanto dell’inganno senza difesa piegati nel silenzio dell’insulto senza pianto senza canto quasi senza direzione nel buio immacolato della deportazione e acuta più acuta di ogni possibile resa la vita non stivata a vagone o scafo nella miserabile transumanza ma la nostra desolazione la nostra sola e acerba costanza che di tutto il resto ha fatto attesa e solitudine d’albergo nelle voci vuote di una vuota stanza qui a riscrivere la storia nella ruota della dimenticanza.


EN LAS VOCES DE UNA HABITACIÓN

     Así y aquí y por el camino golpea el corazón la caricia que felices hemos sido una mañana de primeros de siglo y luego más tarde sin saberlo reflejados en la prisa paseo marítimo de un niño en nieblas y miradas extenuadas arrebatadas en nosotros buscando o en la fuga en bicicleta casi de excavarlo un poco de futuro en tanta guerra cotidiana nostalgia de cada banca con poco después pero cada la idea más entera de la tierra y espaldas al muro a un rulo de tambor en el invierno de u tren escoltado y alta más allá la ola de prado más allá del chirrido del freno más allá del chirrido de lo que ha sido o el respiro de un alba sin ofensas donde bate un océano de palabras en la boca abierta de par en par en el encanto del engaño sin defensa rendidos en el silencio del insulto sin llanto, sin canto casi sin dirección en lo oscuro inmaculado de la deportación y aguda más aguda de cada posible rendición entregada la vida no estibada a vagón o buque en la miserable trashumancia pero nuestra desolación nuestra sola y áspera constancia de que todo el resto ha hecho espera y soledad de hostal en las voces vacías de una vacía habitación aquí reescribiendo la historia en la rueda del olvido.

 

 

 

 

 

 

 

STEFANO MASSARI


     © Stefano Massari(Roma, Italia, 1969)

     Vive en Castello di Serravalle, en la provincia de Bolonia. Ha publicado las recopilaciones Lídolo anteriore y Corda occidentale. Colabora con la compañía Teatro delle Ariette y forma parte de la Asociación Cultural Fuoricasa Poesía.
     Diario del pane (Raffaelli editore, Rimini 2003) es una recopilación de poesías, intensa y original, constituida por textos breves y dividida en tres secciones, las dos primeras dedicadas al tema de la guerra y la tercera dedicada a los temas contrapuestos y espectaculares del nacimiento y la muerte (el nacimiento de un hijo y la muerte de un amigo querido son narradas en dos poesías, puestas una al lado de otra). Las poesías de la primera sección han sido compuestas absorbiendo y reelaborando las imágenes de las guerras que hubo hace pocos años en la ex Yugoslavia, con sus terribles masacres étnicas.
     La estructura sintáctica de los versos está formada por frases, a menudo sin verbo, y después del punto nunca es respetada la mayúscula.

 


     Traducción: Pablo Palomino

 

 


     maggio e la terra ringhia . c’è il testimone con le mani sul viso . e tutti gli eserciti pronti . e tutti gli allarmi di urina sui muri . c’è cristo nervoso che mostra i chiodi . chi è stata madre urla . chi è stato padre contempla il nulla .


     mayo y la tierra gruñe . está el testigo con las manos sobre el rostro . y todos los ejércitos preparados . y todas las alarmas de orina sobre los muros . está cristo nervioso que enseña los clavos . quien ha sido madre grita . quien ha sido padre contempla la nada .

 

 


     due voci e l’inverno . e tu che non sogni . e sollevi i calici sopra le teste cadute prima della tua . le tue mani di maschio vuote . ombre e topi dai confini della vergine . sangue corre urgente . qualcuno chiama pace questo costante allarme .


     dos veces y el invierno y tú que no sueñas . y alzas los cálices sobre las cabezas caidas antes que la tuya . tus manos de macho vacías . sombras y ratones de los confines de la virgen . sangre corre urgente . alguno llama paz a esta constante alarma .

 

 


Diario del pane     giorno perfetto fratello . mia madre muore . e i tamburi hanno smesso di gridare . esplodono i vermi sulle mani dei nemici che portano corone . padri bianchi e sorridenti bastonano lo sciatto . scuoiano il perdente . io non ho più fede in niente .


     día perfecto hermano . mi madre muere . y los tambores han dejado de gritar . explotan los gusanos sobre las manos . de los enemigos que portan coronas . padres blancos y sonrientes golpean al desaliñado . desollan al perdedor . y yo ya no tengo fe en nada .

 

 


     questo cielo offro al tuo ventre . e la fede nel sole . e la pazienza della terra . verso nei tuoi occhi . per non perderti mai . per l’olio nero che sputo . per l’urlo duro che ingoio . promettimi il pane . promettimi l’acqua .


     este cielo ofrezcoa tu vientre . y la fe en el sol . y la paciencia de la tierra . verso en tus ojos . para no perderte nunca . por el aceite negro que escupo . por el grito duro que engullo . prométeme el pan . prométeme el agua .

 

 


     cristo infelice . e io stanco . e tu che sorridi prima della pioggia . la fronte a oriente . i servi muti a masticare piombo . i fedeli in divisa a celebrare niente .


     Cristo infeliz y yo cansado © Stefano Massaricristo infeliz . y yo cansado . y tú que sonríes antes de la lluvia . la frente a oriente . los siervos mudos masticando plomo . los fieles en uniforme celebrando nada .

 

 


     venerdì del silenzio . ho avuto un figlio . e mi ha insegnato a cantare . la terra a mani nude . la sete uguale . dietro di me il nulla delle pietre consumate . davanti a me . guerre in cammino . parole più fedeli . l’obbedienza del pane .


     viernes del silencio . he tenido un hijo . y me ha enseñado a cantar . la tierra con las manos desnudas . la sed igual . tras de mí la nada de las piedras consumadas . delante de mí . guerras en camino . palabras más fieles . la obediencia del pan .

 

 

 

 

 

 

 

LEROI JONES (AMIRI BARAKA)


Alguien hizo estallar EE.UU. y otros poemas     (Newark, Nueva Jersey, EE.UU.)

     Se licenció en la Universidad de Howard en los años cincuenta, en los sesenta fue uno de los principales intelectuales negros y en los setenta cambió su nombre por el de Amiri Baraka.
Abandonó el Ejército del aire para establecerse en el mítico Greenwich Village neoyorquino. Allí trabó amistad con Allen Ginsberg y su entorno beat. De hecho, fundó, junto a su mujer Hettie Cohen, la revista Yugen, de clara ética y estética beat.
     Como dramaturgo estrenó en 1964 El holandés, ganando el premio Obie. Destaca también su segunda obra, El esclavo. Ambas piezas teatrales tratan el racismo contra los negros como protagonista principal. Así fue que creó el Black Arts Repertory Theater (Teatro de Repertorio de Arte Negro).
     Cuando ya se iba alejando de los beats asesinaron a Malcolm X. Baraka dio la espalda al mundo de los blancos. Se divorció de su esposa, que era blanca, se cambió el nombre y se hizo nacionalista negro, estableciéndose en Harlem, donde se dedicó a crear una cultura negra a través del arte. Durante la última parte de la década de 1960, sus poemas, novelas, obras y ensayos constituyeron una fuerza importante que alejó la literatura afroamericana de temas integradores para centrarse en la propia experiencia de los negros, incrementando también su actividad política. En 1974 abandonó el movimiento nacionalista negro en favor del marxismo o leninismo. En 1983, después de dar clases en las universidades de Yale y Columbia, fue nombrado director del programa de estudios africanos de la Universidad del Estado de Nueva York, en Stony Brook. Este poema pertenece a su último libro Somebody blew up America & other poems (Alguien hizo estallar EE.UU. y otros poemas).

 


     Traducción: Germán Leyens
     Revisión: Manuel Talens

 

 

 

SOMEBODY BLEW UP AMERICA

 

(All thinking people
oppose terrorism
both domestic
& international…
But one should not
be used
To cover the other)

They say its some terrorist, some
barbaric
A Rab, in
Afghanistan
It wasn't our American terrorists
It wasn't the Klan or the Skin heads
Or the them that blows up nigger
Churches, or reincarnates us on Death Row
It wasn't Trent Lott
Or David Duke or Giuliani
Or Schundler, Helms retiring

It wasn't
the gonorrhea in costume
the white sheet diseases
That have murdered black people
Terrorized reason and sanity
Most of humanity, as they pleases

They say (who say? Who do the saying
Who is them paying
Who tell the lies
Who in disguise
Who had the slaves
Who got the bux out the Bucks

Who got fat from plantations
Who genocided Indians
Tried to waste the Black nation

Who live on Wall Street
The first plantation
Who cut your nuts off
Who rape your ma
Who lynched your pa

Who got the tar, who got the feathers
Who had the match, who set the fires
Who killed and hired
Who say they God & still be the Devil

Who the biggest only
Who the most goodest
Who do Jesus resemble

Who created everything
Who the smartest
Who the greatest
Who the richest
Who say you ugly and they the goodlookingest

Who define art
Who define science

Who made the bombs
Who made the guns

Who bought the slaves, who sold them

Who called you them names
Who say Dahmer wasn't insane

Who/ Who / Who/

Who stole Puerto Rico
Who stole the Indies, the Philipines, Manhattan
Australia & The Hebrides
Who forced opium on the Chinese

Who own them buildings
Who got the money
Who think you funny
Who locked you up
Who own the papers

Who owned the slave ship
Who run the army

Who the fake president
Who the ruler
Who the banker

Who/ Who/ Who/

Who own the mine
Who twist your mind
Who got bread
Who need peace
Who you think need war

Who own the oil
Who do no toil
Who own the soil
Who is not a nigger
Who is so great ain't nobody bigger

Who own this city

Who own the air
Who own the water

Who own your crib
Who rob and steal and cheat and murder
and make lies the truth
Who call you uncouth

Who live in the biggest house
Who do the biggest crime
Who go on vacation anytime

Who killed the most niggers
Who killed the most Jews
Who killed the most Italians
Who killed the most Irish
Who killed the most Africans
Who killed the most Japanese
Who killed the most Latinos

Who/Who/Who

Who own the ocean

Who own the airplanes
Who own the malls
Who own television
Who own radio

Who own what ain't even known to be owned
Who own the owners that ain't the real owners

Who own the suburbs
Who suck the cities
Who make the laws

Who made Bush president
Who believe the confederate flag need to be flying
Who talk about democracy and be lying
WHO/ WHO/ WHOWHO/

Who the Beast in Revelations
Who 666
Who decide
Jesus get crucified

Who the Devil on the real side
Who got rich from Armenian genocide

Who the biggest terrorist
Who change the bible
Who killed the most people
Who do the most evil
Who don't worry about survival

Who have the colonies
Who stole the most land
Who rule the world
Who say they good but only do evil
Who the biggest executioner

Who/Who/Who ^^^

Who own the oil
Who want more oil
Who told you what you think that later you find out a lie
Who/ Who/ ???

Who fount Bin Laden, maybe they Satan
Who pay the CIA,
Who knew the bomb was gonna blow
Who know why the terrorists
Learned to fly in Florida, San Diego

Who know why Five Israelis was filming the explosion
And cracking they sides at the notion

Who need fossil fuel when the sun ain't goin' nowhere

Who make the credit cards
Who get the biggest tax cut
Who walked out of the Conference
Against Racism
Who killed Malcolm, Kennedy & his Brother
Who killed Dr King, Who would want such a thing?
Are they linked to the murder of Lincoln?

Who invaded Grenada
Who made money from apartheid
Who keep the Irish a colony
Who overthrow Chile and Nicaragua later

Who killed David Sibeko, Chris Hani,
the same ones who killed Biko, Cabral,
Neruda, Allende, Che Guevara, Sandino,

Who killed Kabila, the ones who wasted Lumumba, Mondlane , Betty Shabazz, Princess Margaret, Ralph Featherstone, Little Bobby

Who locked up Mandela, Dhoruba, Geronimo,
Assata, Mumia,Garvey, Dashiell Hammett, Alphaeus Hutton

Who killed Huey Newton, Fred Hampton,
MedgarEvers, Mikey Smith, Walter Rodney,
Was it the ones who tried to poison Fidel
Who tried to keep the Vietnamese Oppressed

Who put a price on Lenin's head

Who put the Jews in ovens,
and who helped them do it
Who said "America First"
and ok'd the yellow stars
WHO/WHO/ ^^

Who killed Rosa Luxembourg, Liebneckt
Who murdered the Rosenbergs
And all the good people iced,
tortured , assassinated, vanished

Who got rich from Algeria, Libya, Haiti,
Iran, Iraq, Saudi, Kuwait, Lebanon,
Syria, Egypt, Jordan, Palestine,

Who cut off peoples hands in the Congo
Who invented Aids Who put the germs
In the Indians' blankets
Who thought up "The Trail of Tears"

Who blew up the Maine
& started the Spanish American War
Who got Sharon back in Power
Who backed Batista, Hitler, Bilbo,
Chiang kai Chek who WHO W H O/

Who decided Affirmative Action had to go
Reconstruction, The New Deal, The New
Frontier, The Great Society,

Who do Tom Ass Clarence Work for
Who doo doo come out the Colon's mouth
Who know what kind of Skeeza is a Condoleeza
Who pay Connelly to be a wooden negro
Who give Genius Awards to Homo Locus
Subsidere

Who overthrew Nkrumah, Bishop,
Who poison Robeson,
who try to put DuBois in Jail
Who frame Rap Jamil al Amin, Who frame the Rosenbergs, Garvey,
The Scottsboro Boys, The Hollywood Ten

Who set the Reichstag Fire

Who knew the World Trade Center was gonna get bombed
Who told 4000 Israeli workers at the Twin Towers
To stay home that day
Why did Sharon stay away ?
/
Who,Who, Who/
explosion of Owl the newspaper say
the devil face cd be seen Who WHO Who WHO

Who make money from war
Who make dough from fear and lies
Who want the world like it is
Who want the world to be ruled by imperialism and national oppression and terror
violence, and hunger and poverty.

Who is the ruler of Hell?
Who is the most powerful

Who you know ever
Seen God?

But everybody seen
The Devil

Like an Owl exploding
In your life in your brain in your self
Like an Owl who know the devil
All night, all day if you listen, Like an Owl
Exploding in fire. We hear the questions rise
In terrible flame like the whistle of a crazy dog

Like the acid vomit of the fire of Hell
Who and Who and WHO (+) who who ^
Whoooo and Whooooooooooooooooooooo!

 



ALGUIEN HIZO ESTALLAR EE.UU.

 

(Todos los que piensan
se oponen al terrorismo
interior
e internacional...
Pero el uno no debiera
utilizarse
para encubrir el otro)

Dicen que es algún terrorista, algún
bárbaro
árabe, en
Afganistán
No fueron nuestros terroristas americanos
No fue el Klan ni los Skinheads
O los que vuelan negros
iglesias o nos reencarnan en el corredor de la muerte
No fue Trent Lott
Ni David Duke ni Giuliani
Ni Schundler, Helms jubilado

No fue
la gonorrea disfrazada
las enfermedades de sábana blanca
Que han asesinado a los negros
Aterrorizado la razón y la cordura
La mayor parte de la humanidad, como desean

Dice -¿Quién dice? Quiénes son los que dicen
Quiénes son los que pagan
Quién dice las mentiras
Quién se disfraza
Quién tenía los esclavos
Quién les quitó el dinero a los negros

Quién se enriqueció en las plantaciones
Quién exterminó a los indios
Trató de liquidar a la nación negra

Quién vive en Wall Street
La primera plantación
Quién os cortó los cojones
Quién violó a tu mamá
Quién linchó a tu papá

Quién proporcionó el alquitrán, quién las plumas
Quién tenía el fósforo, quién lo encendió
Quién mató por encargo de quién
Quién dijo Dios sin dejar de ser Satanás

Quién es el más grande
Quién es el mejor
A quién se parece Jesús

Quién creó todo
Quién es el más listo
Quién es el más grande
Quién es el más rico
Quién dice que eres feo y ellos los más guapos

Quién define el arte Quién define la ciencia

Quién hizo las bombas Quién hizo los rifles

Quién compró los esclavos, quién los vendió

Quién te insultó Quién dijo que Dahmer no estaba loco

Quién / Quién / Quién /

Quién robó Puerto Rico Quién robó las Indias, las Filipinas, Manhattan
Australia y Las Hébridas
Quién impuso el opio a los chinos

Quién posee los edificios
Quién tiene el dinero
Quién piensa que eres raro
Quién te encerró
Quién controla los periódicos

Quién poseía el barco negrero
Quién dirige el ejército

Quién es el presidente impostor
Quién gobierna
Quién lo financia

Quién / Quién / Quién /

Quién posee la mina
Quién altera tu mente
Quién tiene pan
Quién necesita paz
Quién piensas tú que necesita la guerra

Quién posee el petróleo
Quién es el que no trabaja
Quién posee la tierra
Quién no es negro
Quién es tan grande que no hay nada mayor

Quién posee esta ciudad

Quién es dueño del aire
Quién es dueño del agua

Quién es dueño de tu cuna
Quién asalta y roba y engaña y asesina
y hace de mentiras verdad
Quién te llama ordinario

Quién vive en la casa más grande
Quién comete el crimen más grande
Quién va de vacaciones cuando quiere

Quién mató más negros
Quién mató más judíos
Quién mató más italianos
Quién mató más irlandeses
Quién mató más africanos
Quién mató más japoneses
Quién mató más latinos

Quién / Quién / Quién

Quién posee el océano

Quién posee los aviones
Quién posee los centros comerciales
Quién posee la televisión
Quién posee la radio

Quién posee hasta lo que nadie cree que se pueda poseer
Quién posee a los dueños que no son los dueños verdaderos

Quién posee los suburbios
Quién empobrece las ciudades
Quién hace las leyes

Quién hizo que Bush fuera presidente
Quién cree que la bandera confederada deba ondear
Quién habla de democracia y miente

QUIÉN / QUIÉN / QUIENQUIÉN

Quién es la Bestia del Apocalipsis
Quién el 666
Quién decide
crucificar a Jesús

Quién es Satanás en la vida real
Quién se enriqueció con el genocidio armenio

Quién es el mayor terrorista
Quién altera la biblia
Quién mató más gente
Quién hizo más mal
Quién no se preocupa de la supervivencia

Quién tiene las colonias
Quién robó más tierras
Quién dirige el mundo
Quién dice que es bueno pero sólo hace mal
Quién ejecuta más gente

Quién / Quién / Quién

Quién posee el petróleo
Quién quiere más petróleo
Quién te dijo lo que piensas y después descubres que es mentira
¿Quién? / ¿Quién? ¿¿¿???

Quién creó a Bin Laden, tal vez ellos son Satanás
Quién paga a la CIA,
Quién sabía que la bomba iba a estallar
Quién sabe por qué los terroristas
Aprendieron a volar en Florida, San Diego

Quién sabe por qué cinco israelíes estaban filmando la explosión
Muertos de risa de sólo pensarlo

Quién necesita combustible fósil si el sol no se va

Quién hace las tarjetas de crédito
Quién ahorra más impuestos
Quién se fue de la Conferencia
Contra el Racismo
Quién mató a Malcom, a Kennedy y a su hermano
Quién mató al Dr. King. ¿Quién deseaba su muerte?
¿Tienen algo que ver con el asesinato de Lincoln?

Quién invadió Granada
Quién ganó dinero con el Apartheid
Quién mantiene a los irlandeses como una colonia
Quién derrocó después a Chile y Nicaragua

Quién mató a David Sibeko, a Chris Hani,
los mismos que mataron a Biko, Cabral,
Neruda, Allende, Che Guevara, Sandino,

Quién mató a Kabila, los que liquidaron a Lumumba, a Mondlane, a Betty Shabazz, a la princesa Margaret, a Ralph Featherstone, a Little Bobby

Los que encerraron a Mandela, a Dhoruba, a Geronimo,
a Assata, a Mumia, a Garvey, a Dashiell Hammett, a Alphaeus Hutton

Los que mataron a Huey Newton, a Fred Hampton,
a Medgar Evers, a Mikey Smith, a Walter Rodney,
¿Fueron los que trataron de envenenar a Fidel
Los que trataron de mantener oprimidos a los vietnamitas?

Los que pusieron precio a la cabeza de Lenin

Los que metieron a los judíos en hornos,
y los que les ayudaron a hacerlo
Los que dijeron “América Primero”
Y aprobaron las estrellas amarillas
QUIÉN/QUIÉN/

Quién mató a Rosa Luxemburgo, a Liebneckt
Quién asesinó a los Rosenberg
Y a toda la gente buena aniquilada,
Torturada, asesinada, desaparecida

Quién se enriqueció en Argelia, Libia, Haití,
Irán, Irak, Arabia Saudí, Kuwait, Líbano,
Siria, Egipto, Jordania, Palestina

Quién cortó manos en el Congo
Quién inventó el sida Quién puso los gérmenes
en las sábanas de los indios
Quién imaginó “El Sendero de las Lágrimas”

Quién hizo volar el Maine
y comenzó la Guerra Hispano-Americana
Quién puso de nuevo a Sharon en el poder
Quién respaldó a Batista, a Hitler, a Bilbo,
a Chiang kai Chek quién QUIÉN Q U I É N

Quién decidió que la Acción Afirmativa debía desaparecer
La Reconstrucción, el New Deal, la Nueva
Frontera, la Gran Sociedad,

Para quién trabaja el idiota de Tom Clarence
Qué mierda sale de la boca del Colin
Quién sabe qué clase de puta es Condoleeza
Quién le paga a Connelly para que sea un negro de madera
Quién le da Premios de Genio al Homo Locus
Subsidere

Quién derrocó a Nkrumah, a Bishop,
Quién envenenó a Robeson,
Quién trató de encarcelar a DuBois
Quién preparó la trampa para Rap Jamil al Amin, Quién se la preparó a los Rosenberg, Garvey,
a los Scottsboro Boys, a los Hollywood Ten

Quién incendió el Reichstag

Quién sabía que iban a bombardear el World Trade Center
Quién les dijo a los 4000 empleados israelíes de las Torres Gemelas
Que se quedaran en casa ese día
Por qué no acudió Sharon

Quién, quién, quién/
Los periódicos dijeron que aquella explosión era un presagio
que revelaba el rostro del diablo Quién QUIÉN Quién QUIÉN

Quién gana dinero con la guerra
Quién se hace rico con miedo y mentiras
Quién quiere que el mundo sea como es
Quién quiere que el mundo sea regido por el imperialismo, la opresión nacional y el terror
La violencia y el hambre y la pobreza.

¿Quién dirige el infierno?
Quién es el más poderoso

¿Conoces a alguien
Que haya visto a Dios?

Pero todos han visto
Al Diablo

Como un canto fúnebre de lechuza que estalla
En tu vida en tu cerebro en tu ser
Como una lechuza que conoce al diablo
Toda la noche, todo el día si escuchas. Como el canto de una lechuza
Que se convierte en fuego. Escuchamos brotar las preguntas
Entre llamas terribles como el silbido de un perro enloquecido

Como el ácido vómito del fuego del infierno
Quién y Quién y QUIÉN(+) quién quién
¿Quiéééééééénnnnnn y Quiiiiiiiéééééeéééénnnnnnnnn!!!!